Transição Idade Média/Idade Moderna – resumo dos fatos históricos
Renascimento Cultural
01 - Conceito - Chamamos de Renascimento Cultural, um movimento
artístico-científico de caráter urbano, nos séculos XIV e XV, na Europa.
02 - Características - antropocentrismo:
o homem é o centro do universo; humanismo:
valorização do ser humano; racionalismo:
o homem é capaz de interpretar e conhecer a natureza; naturalismo: o homem
deve voltar e valorizar a natureza; hedonismo:
prazer individual como o único possível; neoplatonismo:
busca uma "aproximação com Deus", por meio da interiorização da busca
espiritual, acima de qualquer busca material. O Renascimento Cultural não foi,
porém, uma simples cópia da cultura greco-romana, embora nela se inspirasse , mas uma adaptação desta
cultura à cultura européia da época do Renascimento.
03 - Contraposição ao teocentrismo da Idade Média, embora as artes fossem
influenciadas pela Igreja.
04 - Mecenas - eram as pessoas que financiavam e pagavam os artistas pelas
obras de arte. Exs: comerciantes e papas. A maioria dos artistas do
renascimento eram profissionais que viviam de suas atividades.
Grandes Navegações
1) Fatores - os fatores ou, de certa
forma, as causas das grandes navegações ou expansão marítima e comercial
européia, a partir do século XV, podem ser resumidas em dois. O primeiro foi a
tentativa de romper o monopólio comercial das especiarias (produtos de alto
valor comercial)das cidades italianas (Gênova e Veneza), no mar Mediterrâneo,
que encareciam muito o preço das mesmas na Europa. Era necessário, portanto,
encontrar um novo caminho marítimo para chegar ás Índias (região produtora de
especiarias), adquirindo-as por um preço mais barato e evitando a intermediação
dos comerciantes genoveses e venezianos. O segundo foi a procura de colônias que
pudessem fornecer metais preciosos para cunhagem de moedas na Europa, metais
estes em relativa falta na Europa. Este fator seguia o princípio mercantilista
do metalismo (ver assunto "mercantilismo").
2) Ciclos de navegação - abordaremos
aqui somente os ciclos dos países europeus pioneiros nas grandes navegações, ou
seja, Portugal e Espanha.
2.1 - Ciclo português - Portugal fez o ciclo oriental ou périplo africano
(contornando a costa Oeste da áfrica)das grandes navegações, ou seja, pretendia
chegar ao oriente (Índias, onde ficavam as especiarias) navegando no sentido
oriental.
2.2 - Ciclo espanhol - A Espanha fez o ciclo ocidental das grandes navegações,
ou seja, pretendia chegar o oriente navegando no sentido ocidental, pois acreditavam
na esfericidade da Terra (viagem de circunavegação). Cristóvão Colombo, em
1492, descobriu a América (na verdade, foi apenas um conjunto de Ilhas, no
atual Caribe), pensando ter chegado às Índias, tanto assim que chamou seus
habitantes de índios. Anos mais tarde, descobriu-se o engano.
Mercantilismo
1) Conceito
- chamamos de mercantilismo um conjunto de idéias e práticas econômicas
desenvolvidas pelos Estados europeus entre os séculos XV e XVIII e que visavam
fortalecer o Estado economicamente e as classes que o apoiavam; 2) princípios ou idéias:
a) Metalismo - um país é considerado
rico e poderoso se acumulasse o máximo possível de metais preciosos - ouro e
prata, pois estes metais eram aceitos em qualquer lugar do planeta. Este
princípio era o mais importante do mercantilismo e todos os demais, em maior ou
menor grau, giravam em torno dele; b) balança
comercial favorável - um país dever exportar mais do que importar, ou seja,
ficaria um saldo positivo a favor do mesmo, e este saldo garantiria um acúmulo
de metais preciosos no país; c) protecionismo
alfandegário - o Estado criava impostos para se importar mercadorias e
proteger as mercadorias nacionais da concorrência estrangeira, favorecendo a
balança comercial favorável e o princípio do metalismo; d) monopólio de comércio - o Estado garantia somente a companhias de
comércio, controladas pela burguesia, o privilégio de somente elas
comercializarem determinados produtos, dentro do país, entre os países ou entre
o país colonizador (metrópole) e o país colonizado; e) colonialismo - cada país colonizador (metrópole) procurava reservar
para si uma área de comércio exclusivo (pacto colonial) que pudesse, caso fosse
possível, fornecer outro e prata. Enfim, estes são os princípios gerais do
mercantilismo. Cada país criou um mercantilismo próprio
Revoluções Inglesas
Conceito - chamamos de Revoluções Inglesas (alguns historiadores preferem
chamar no singular - Revolução Inglesa - por acharem que elas fazem parte de um
único processo) um série de Revoltas ocorridas na Inglaterra no século XVII,
chamadas genericamente de Revolução Gloriosa e Revolução Puritana (vide
livro-texto) e que tem como significado histórico, a limitação do poder
absolutista inglês pelo parlamento, formando a chamada monarquia parlamentar ou
constitucional, onde o poder absolutista dos reis ingleses foram limitados pelo
parlamento. Esta é uma diferença fundamental com o absolutismo francês por
exemplo, onde o poder do rei, pelo menos por um certo tempo, não conheceu
limites (a critério do aluno, cap. 23)
Absolutismo Monárquico
1) Conceito
- chamamos de absolutismo monárquico, um processo de centralização do poder nas
mãos do rei, iniciado com a formação das monarquias nacionais - união entre o
rei e a burguesia, entre os séculos XV e XVIII, na Europa; 2) Teorias - estas
teorias ou idéias são justificativas para o poder absoluto dos reis. São
basicamente duas: 1ª) do poder divino dos reis - o poder do rei é sagrado, vem
de Deus e portanto, ele está acima das leis, daí seu poder ser absolutos,
amplo, teoricamente sem nenhuma espécie de controle, pois o rei deveria
justificar seus atos apenas perante Deus. Defendiam esta teoria os pensadores
Jean Bodin e Jacques Bossuet; 2ª) do contrato ou do pacto social - o pensador
Thomas Hobbes era um dos defensores desta teoria. Segundo ele, os homens, por
motivos diversos, viviam em constante estado de guerra ("o homem é o lobo
do homem",segundo ele). Para diminuir este problema, os homens cederiam
suas liberdades individuais ao monarca (rei) para que ele garantisse a
tranquilidade social entre eles, numa espécie de contrato entre os homens e o
rei. Atribui-se ao rei francês Luís XIV, conhecido como o "rei Sol",
a frase: "O Estado sou eu". Esta frase seria marcada na História como
um sinônimo do Estado Absolutista. Observação: na Inglaterra, o poder
absolutista foi limitado pela luta entre os reis ingleses e o parlamento, que
limitou o poder do rei, formando a chamada monarquia parlamentar ou
constitucional, onde o poder do rei é limitado por uma Constituição.
Reforma Religiosa ou Protestante
1) Conceito
- chamamos de Reforma Religiosa ou Protestante uma série de reformas na
religião católica, na Europa, no século XVI, devido, dentre inúmeras outras
coisas, ao mau comportamento de seus membros, como a venda de
indulgências(venda do perdão dos pecados) para a reconstrução da basílica de
São Pedro, no Vaticano, pelo papa e procurou arrecadar dinheiro vendendo o
perdão dos pecados, na Europa. Um clérigo ficou famoso na época, pela seguinte
frase: "Quando o dinheiro cai na sacola, uma alma para o ceú decola"
(John Tetzel, monge e inquisidor polonês, 1517)
2) Processo histórico -
iniciou-se na Alemanha, com Martinho Lutero, que criticou a venda de
indulgências, entrando em conflito com o papa Leão X. Adquiriu variações
próprias em cada país europeu, de acordo com suas condições históricas. Na
França, por exemplo, João Calvino criou a ideologia da predestinação, segundo a
qual o ser humano nasce predestinado por Deus à salvação (céu) ou danação
(inferno). A riqueza material e a prosperidade econômica seriam um sinal de
salvação. A burguesia, classe ligada ao comércio e às finanças, recebeu bem as
idéias de Calvino e muitos se converteram ao calvinismo, pois este não proibia
o lucro e a usura. A Igreja católica, ao contrário, ameaçava com a excomunhão
estas práticas econômicas. Muitos reis apoiaram, disfarçadamente ou não, a
Reforma Protestante, pois esta seria uma forma de combater o poder da Igreja
católica em seus reinos, inserindo-se a Reforma no contexto político de
fortalecimento do poder do rei - o absolutismo monárquico. Em outras palavras,
a Reforma Protestante, ao criticar as práticas condenáveis da Igreja católica,
enfraqueceu esta última, ajudando, indiretamente o processo de concentração de
poderes para os reis.